Evento: Encontro com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda
Local: Águas Claras – Brasília (DF)
Data: 20-05-09
Assuntos: Parceria Cemig-CEB, CIDE, reunião com ministro Guido Mantega,
Como foi a reunião?
Não posso vir a Brasília sem visitar o governador Arruda, que vem se consolidando no Brasil como um dos melhores gestores desta geração de governadores, para orgulho de todos os mineiros, seus conterrâneos. Vim também hoje conversar sobre uma oportunidade que pode ser extremamente interessante tanto para a população do Distrito Federal quanto para a população de Minas Gerais, que é a principal acionista da Cemig.
Vim manifestar ao governador Arruda um oficial interesse da Cemig em construir uma parceria com a CEB. Uma parceria no campo gerencial, a Cemig pode incorporar o know-how, a credibilidade que tem hoje, é líder em sustentabilidade em todo o mundo, respeitada dentro e fora do Brasil. Além disso, alavancar recursos que possam permitir ao governador Arruda fazer os investimentos que ele tanto quer fazer, principalmente na melhoria da qualidade da distribuição de energia.
É o início de uma conversa. Os dirigentes das empresas também estão aqui e continuarão a detalhar estas conversas. Obviamente, temos limites nas informações, pois estamos falando da Cemig, que é uma empresa de capital aberto. Então, temos de muita cautela com as informações.
A parceria nos interessa estrategicamente pelo momento que a empresa vive. Estamos expandindo nossa atuação em todo o Brasil. É uma oportunidade que pode ser interessante para a Cemig, mas certamente pode ser extremamente interessante para a CEB.
É uma participação acionária?
É uma parceria. Na verdade, a Cemig participaria do controle acionário da CEB. Não vou detalhar mais de que forma porque a cada momento as notícias possíveis serão passadas a vocês, mas estamos falando de alguma forma participarmos e compartilharmos a gestão da CEB com o governador Arruda.
Em que percentuais?
Não estamos tratando desse assunto ainda. Apenas eu vim aqui manifestar o interesse de Minas de construir uma parceria. Qual a participação - de menos, de mais - isso vai ser decidido no tempo certo. Apenas hoje o que eu posso dizer a vocês, eu tenho de ter extrema cautela sobre essas informações porque elas, de alguma forma, reflexo inclusive na Bolsa de Valores, mas o que eu posso afirmar hoje até porque isso é necessário que seja afirmado é que há um interesse real da Cemig em construir uma parceria com a CEB.
Mas acho que é algo que não demorará. Não demorará. Acho que dentro de uns 60 dias acho possamos estar dando aos senhores novas informações talvez mais objetivas sobre como essa parceria se constituiria.
Quais outros assuntos foram tratados na reunião?
Políticas, ações administrativas, onde temos uma sinergia muito grande. O governador Arruda e sua equipe têm uma relação muito próxima com a minha equipe, na área da educação, da saúde, enfim, temos uma identidade muito grande na visão de como gerir a coisa pública. Somos de uma geração que, tanto o Arruda como eu, introduzir o tema de gestão publica de qualidade na agenda nacional. Acho que temos que superar uma falsa dicotomia entre aqueles que consideram a gestão de qualidade algo distante dos avanços sociais.
Ao contrário, na minha avaliação e creio que na do governador Arruda, não existe nenhuma ação de maior efeito social do que a boa aplicação do dinheiro público, do que você gastar o dinheiro público com prioridades corretas, com acompanhamento correto, sem desvios, sem desperdício. Eu acho que temos conseguido, com os bons resultados de Minas e do Distrito Federal, de alguma forma, inspirar, e alguns governadores têm feito algo na mesma direção, ajudar a inspirar o Brasil, no plano central a prestar um pouco mais de atenção nos resultados da gestão pública.
Qual a pauta da reunião de amanhã com o ministro Guido Mantega?
Eu levo três assuntos amanhã ao ministro. O primeiro dele diz respeito à cafeicultura. Tivemos uma reunião, algumas semanas atrás, com as principais lideranças da cafeicultura nacional. Alguns entendimentos foram feitos e não houve nenhuma ação concreta ainda em relação a esses investimentos como, por exemplo, transformar as dívidas em pagamento por produto por 20 anos, com 5% a cada ano e algumas outras questões que eu quero ouvir do ministro qual será o encaminhamento. Venho com uma delegação do setor da cafeicultura mineira, mas também do setor cafeeiro de outros estados importantes no país.
O segundo tema diz respeito à Lei Kandir. Houve um entendimento feito na comissão de orçamento de que se o governo ultrapassasse a sua expectativa de receita, consolidada no orçamento, haveria a distribuição de R$ 1 bilhão e 300 milhões aos estados. O governo ultrapassou em quase R$ 15 bilhões essa expectativa e não foi transferido esse recurso que seria prioritário.
E a terceira questão, que pessoalmente me preocupa muito, diz respeito à questão da Cide. A Cide foi o único imposto, a única contribuição que conseguimos, depois de um enorme esforço, distribuir para os estados e municípios, porque vivemos um processo de concentração permanente de recursos na mão da União e esse recurso nos foi podado em mais de 90%. Através de um recurso contábil que a Petrobras fez e que precisamos encontrar um caminho, ou o próprio governo federal assumir essa responsabilidade de fazer voltar esses recursos aos estados e municípios porque eles faziam parte do planejamento de todos nós. Estamos falando de recursos para inibir acidentes na malha viária, portanto, reformá-la, mantê-la adequadamente. Essas serão as três questões que eu pretendo conversar amanhã com o ministro Mantega.
JOSÉ ROBERTO ARRUDA
"Recebo o governador Aécio aqui com muito prazer. Tenho uma admiração muito grande pelo governador, pelo trabalho que ele faz para Minas Gerais, eu creio hoje que é o governo que tem o maior índice de aprovação com a sua população, e isso não é por acaso. O Aécio inventou um jeito novo de governar, com racionalidade e ao mesmo tempo com muita sensibilidade social. E eu tenho muito a aprender com ele. Toda vez que o governador Aécio vem aqui eu tiro uma casquinha. Algum projeto que ele fez, alguma coisa nova que a gente pode adaptar a Brasília, o governador Aécio realmente tem uma visão moderna da administração pública, uma visão de país muito boa, e tenho muita admiração e muito respeito por ele, portanto, o governador Aécio é sempre muito bem vindo. Para vocês terem uma ideia, preparamos pão de queijo, pastel, fizemos tudo para agradá-lo aqui.
Sobre a proposta que o governador Aécio e a Cemig nos trazem, acho que é muito interessante. Determinei que a CEB e o meu governo avaliem com muito carinho e com muito cuidado e muito rapidamente. A Cemig e a CEB já são parceiras em um projeto, que é na Usina de Queimados. O que a Cemig e o governador Aécio trazem é a possibilidade de ampliar essa parceria também para a área de distribuição de energia, onde, eu confesso, estamos realmente precisando de ajuda, porque Brasília cresceu muito e, infelizmente, nos anos que antecederam o meu governo, não foram feitos os investimentos necessários na área de distribuição.
Então infelizmente estamos tendo queda no fornecimento de energia, má qualidade no fornecimento, o que é inadmissível na capital do país. Nesses dois anos a gente já melhorou um pouquinho, mas temos que melhorar muito mais e uma eventual parceria com a Cemig, que teve sucesso em Queimados, poderá também ter sucesso na distribuição. Isso significa eventualmente mais recursos de investimentos, mas significa, sobretudo, uma experiência de engenharia, de tecnologia, que a Cemig acumulou e que pode ser transferida para a CEB de maneira muito rápida.
Vou citar apenas um exemplo: a Cemig, num estado grande como Minas Gerais, tem perda de energia da ordem de 8%. Quer dizer, o que ela gera ou que ela compra e o que ela vende, ela perde 8% nesse caminho. Em Brasília, que é um mercado muito menor e, portanto, essas perdas deveriam ser menores, essa perda é de 14%. Portanto, nós precisamos melhorar muito a nossa eficiência. E essa experiência da Cemig poderá ser muito útil à CEB. De que forma e em que valores nós não temos essa visão. É preciso agora que a direção das duas empresas aprofundem nesses estudos, e nós esperamos que dentro de 60 a 90 dias, no máximo, a gente possa dar contornos mais detalhados dessa nossa parceria.
Mas eu fiquei muito feliz com a visita do governador Aécio e acho que o governador Aécio com esse gesto mostra uma coisa muito interessante, que faz parte do espírito mineiro. É a solidariedade. Quer dizer, ele está preocupado com Minas, tudo isso, ele está preocupado com o Brasil, porque, claro, ele tem uma liderança nacional e isso dá responsabilidade, mas ele está preocupado aqui com Brasília, com o nosso desempenho. Isso para a Cemig talvez faça muito pouca diferença. Para nós pode fazer uma grande diferença, porque a Cemig é incomparavelmente maior que a CEB, a Cemig é incomparavelmente mais experiente. Independente de como será a ampliação dessa parceria, eu de início já estou muito grato e acho que esse espírito solidário mineiro faz muito bem ao Brasil.
Qual é a participação de cada uma em Queimados?
A CEB tem 17%, a Cemig tem um valor que não sei exatamente, mas elas são sócias. Mais do que isso eu não posso falar, primeiro porque não sei, segundo porque tenho que fazer uma comunicação oficial à CVM, para fazer os estudos, e nisso tenho que ser muito cuidadoso.
Essa empatia pode significar uma aliança para 2010?
Não, aí está muito longe, eu apenas recebo e agradeço esse espírito de solidariedade, de parceria, que é tão próprio de Minas, afinal de contas Brasília foi construída por mineiros, né? Acho que Aécio está indo no rastro de JK, querendo ajudar o país.
Agência Minas
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