O HTLV foi descoberto em 1980 e pode evoluir para doenças graves
A infecção pelo vírus HTLV (tipos 1 e 2) que, entre outras doenças, pode evoluir para a leucemia, foi objeto de estudo da pesquisa "Distribuição Geográfica do HTLV-1/2 em mães de recém-nascidos submetidos à triagem neonatal em Minas Gerais". O trabalho, realizado pela Fundação Hemominas e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), identificou mães infectadas, por meio de teste feito no sangue dos recém-nascidos e que detecta anticorpos específicos que passam da mãe para os filhos.
O estudo avaliou a distribuição geográfica do vírus nas mães de recém-nascidos triados pelo Programa Estadual de Triagem Neonatal e verificou a correlação entre soropositividade para o HTLV com determinantes de posição socioeconômica. A pesquisa, que teve início em 2007, analisou 55.293 amostras, com 52 amostras reagentes e a confirmação de infecção em 42 mães. Entre as 12 mesorregiões geográficas de Minas Gerais, as maiores taxas de soropositividade foram observadas nos vales do Mucuri e Jequitinhonha.
Segundo o estudo, a distribuição geográfica do HTLV-1/2 foi heterogênea, mas com tendência de concentração nas regiões Norte e Nordeste do Estado. Mesorregiões com as maiores taxas de soropositividade coincidiram com aquelas que, em média, apresentam os piores indicadores socioeconômicos.
"O HTLV pode levar a doenças graves, de difícil tratamento, por isso é essencial a implantação de medidas que visam ao controle da disseminação do vírus", informa a pesquisadora da Fundação Hemominas, Maísa Ribeiro. Segundo ela, o conhecimento das áreas com maior prevalência da infecção nas gestantes pode propiciar o planejamento de ações de saúde pública, como triagem no pré-natal ou neonatal. "Estas ações associadas às medidas de intervenção, como fornecimento de fórmulas lácteas aos recém-nascidos de mães positivas, podem apresentar um grande impacto na redução da transmissão do vírus", conclui.
Testes em candidatos à doação de sangue mostram que, no estado de Minas Gerais, 0,08% podem estar infectados.
Vírus HTLV
O HTLV é um retrovírus que foi descoberto em 1980 a partir do seu isolamento em um paciente com um tipo raro de leucemia de células T. O tipo 2 do vírus foi identificado em 1982 e os tipos 3 e 4 em 2005. A pessoa portadora do HTLV pode desenvolver doenças como leucemia/linfoma de células T do adulto (ATL), paraparesia espástica tropical (HAM/TSP), uveíte (HAU), entre outras. Em torno de 5% a 10% dos portadores do retrovírus têm chance de desenvolver uma dessas doenças. A prevalência do vírus é maior em mulheres do que em homens (cerca de duas mulheres para cada homem).
A transmissão pode ocorrer através do contato com o sangue contaminado (transfusões de sangue, uso compartilhado de agulhas e seringas contaminadas ou acidentes de trabalho em laboratórios), durante a amamentação e por relação sexual.
No Brasil, a obrigatoriedade para a realização do teste no sangue para a transfusão foi aprovada em 1993, por meio do Ministério da Saúde.
Lei 17.344
Em janeiro de 2008, foi aprovada uma lei em Minas Gerais que obriga os serviços de saúde pública a realizarem testes sorológicos para diagnosticar a infecção causada pelos vírus HTLV 1 e HTLV 2. A Lei 17.344 é a mais completa do País sobre o assunto uma vez que abrange diagnóstico, tratamento e prevenção do vírus. A Lei prevê também que o teste seja oferecido a todas as gestantes do Estado das regiões onde há grande incidência dos vírus. A determinação é significativa, já que uma das formas de transmissão dos vírus é através do aleitamento materno.
Agência Minas
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