quinta-feira, 29 de julho de 2010

Febre maculosa é mais comum em períodos secos

Entre os meses de maio a outubro, período considerado o mais seco do ano, o risco de ocorrência de casos humanos de febre maculosa brasileira (FMB) é maior. A informação é da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), que alerta à população sobre as formas de prevenção, sintomas da doença e tratamento. 

A febre maculosa é uma doença grave de evolução aguda e de alta letalidade, transmitida pela picada do carrapato-estrela, da espécie Amblyomma cajennense, infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii. Esse parasita, que se alimenta de sangue, pode ser encontrado tanto em animais de grande porte (bois, cavalos, etc), quanto em cães, aves domésticas, roedores e, especialmente, na capivara, o maior de todos os reservatórios naturais. 

O risco de ocorrência de casos humanos da febre maculosa nos períodos secos se deve à presença de formas jovens (larvas e ninfas) do carrapato Amblyomma cajennense. De acordo com a Referência Técnica em Zoonoses da SES-MG, Marcela Ferraz, "a maior incidência da doença ocorre no sudeste, onde há grande presença do vetor carrapato-estrela e pelas características climáticas, que contribuem para a proliferação da doença, pois segue um padrão sazonal relacionado ao ciclo evolutivo do carrapato", informa. 

Para haver transmissão da doença, o carrapato infectado precisa ficar pelo menos quatro horas fixado na pele. As larvas e ninfas são vetores perigosos porque são menores que os carrapatos adultos e por isso geralmente não são percebidos pelas pessoas, ficando fixadas por mais tempo à pele, aumentando o risco de transmissão da doença, sem que a pessoa perceba. 

Sintomas
O indivíduo infectado pode apresentar um ou mais dos seguintes sintomas e/ou sinais: presença súbita de febre alta, dores de cabeça, dor de garganta, dor abdominal, náuseas, vômitos, mal-estar generalizado e dores musculares. Geralmente no quarto dia surgem manchas róseas nas extremidades, em torno do punho e do tornozelo, tronco, face, pescoço, palmas das mãos e solas dos pés. Alguns casos podem ser extremamente graves, ocorrendo exantema (vermelhidão), petéquias (hemorragias), confusão mental, alterações psicomotoras, icterícia, convulsões, coma e necrose de tecidos. Nota-se, ainda, inchaço das pálpebras e rosto, bem como das pernas, que apresentam aparência brilhante. 

"Um dos problemas mais graves no diagnóstico da febre maculosa está na semelhança dos seus sintomas iniciais (febre, dor de cabeça, etc) com os de outras doenças mais comuns, como a gripe, sarampo, dengue hemorrágica. Isso faz com que as pessoas muitas vezes não procurem o tratamento adequado no início do processo, permitindo que a doença evolua para um quadro mais grave", ressalta Marcela. 

De 1995 a 2009 já foram relatados cerca de 210 casos em Minas Gerais. Em 2010, foram confirmados seis casos no Estado, sendo quatro registrados no município de Diamantina e um no município de Catuji. 

Prevenção
É recomendado à população que se proteja com o uso de barreiras físicas quando em áreas com possibilidade de presença de carrapatos, além da utilização de roupas claras e com mangas compridas. Deve-se, ainda, examinar o corpo a cada três horas a fim de verificar a presença de carrapatos; quanto mais rápido forem retirados, menor é a chance de transmissão. Não esmagar os carrapatos com as unhas para evitar o possível contato com a bactéria e realizar capina e limpeza de lotes para evitar a proliferação dos mesmos na cobertura vegetal também são medidas importantes de prevenção. 

Tratamento
Para o tratamento é necessário o uso de dois tipos de antibióticos específicos, prescritos de acordo com o quadro clínico apresentado. Os cuidados são necessários para evitar possíveis complicações, principalmente as renais, neurológicas e pulmonares. A febre maculosa pode ser facilmente combatida se tratada inicialmente. Ficar alerta aos sintomas e informar ao médico, caso tenha havido contato com o carrapato-estrela ou carrapato de cavalo, transmissor da doença, é uma das principais formas de combate à doença.

Agência Minas

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