segunda-feira, 12 de abril de 2010

Animais Peçonhentos: perigosos para alguns, importante para muitos!

Foto 1: Bosque do Jambreiro
Foto 2: Condomínio Vila Del Rey

Animais Peçonhentos: assustadores para alguns, importante para a saúde de todos - Funed dá dicas de como agir ao se deparar com esses animais

Se para a maior parte das pessoas cobras, aranhas e escorpiões representam perigo, para a ciência e para a saúde, eles são fundamentais. O veneno extraído deles é a matéria-prima essencial utilizada na produção de soros, que são aplicados no tratamento das vítimas de acidentes com animais peçonhentos. 

Aqui em Minas, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), instituição integrante do sistema estadual de saúde, é a responsável pela produção dos soros antiofídicos e antiescorpiônicos distribuídos pelo Ministério da Saúde no país. E é a manutenção de um criadouro de serpentes, escorpiões e aranhas na instituição que permite a continuidade dessa produção e a garantia dos soros nos hospitais credenciados.  

Uma série de projetos e parcerias estabelecidas pela Fundação tem garantido, de forma inovadora, o plantel de animais necessário para manter a produção em níveis elevados para atender o Sistema único de Saúde, mantendo também uma reserva técnica de serpentes e escorpiões. Uma das iniciativas que tem proporcionado bons resultados é a parceria estabelecida com as Vigilâncias Municipais de Saúde.

Segundo o chefe do Serviço de Animais Peçonhentos da Funed, Rômulo Righi de Toledo, apesar de não existir nenhuma norma que determine a entrega dos escorpiões e aranhas encontrados nas residências durante as visitas realizadas pelos agentes comunitários de saúde, a Funed tem contado com a colaboração das prefeituras com a realização desse envio. Prova disso é que, somente no primeiro trimestre desse ano, a Fundação já recebeu cerca de 1.200 escorpiões. "Apenas no mês de março, em um trabalho conjunto com os agentes de campo das secretarias municipais de saúde de Ituiutaba e Uberlândia, no triângulo mineiro, foram recolhidos cerca de 900 escorpiões. Isso nos permite ter hoje um plantel com 2.100 escorpiões da espécie Tityus serrulatus, a mais comum", explica. 

Em contrapartida, técnicos da Fundação Ezequiel Dias treinam agentes das prefeituras para a captura e identificação dos animais. Foi o que fez, por exemplo, a  coordenadora do Aracnidário da Funed, Maria Nelman Antunes Pereira, com os agentes da cidade de Ituiutaba. "Isso é muito importante para que eles saibam capturar e acondicionar os escorpiões e aranhas de maneira correta, o que garante o destino correto dos animais. A disseminação das informações é ferramenta fundamental para manter a parceria", afirma a coordenadora. Rômulo Toledo acrescenta que, "com a capacitação dos agentes de saúde, contribuímos também para que dados corretos sobre os animais peçonhentos circulem entre a população".

Outro resultado importante dessa parceria foi a captura de 18 aranhas Phoneutria nigriventer, popularmente conhecida como armadeira e utilizada em diversas pesquisas da Funed para desenvolver novos medicamentos direcionados à saúde pública. O plantel atual da Fundação, após essa captura, é de 49 animais. Na Funed, o veneno dessa espécie é estudado desde 1983 e várias descobertas importantes já foram feitas. Dentre elas, a presença de uma toxina que tem a função de neuroproteção eficiente em casos de isquemia cerebral (derrame), outra muito eficiente no combate à dor, considerada mais potente que a morfina e também uma terceira toxina, responsável por atuar contra arritmias cardíacas. Esses estudos podem levar ao desenvolvimento de novos medicamentos a serem disponibilizados em toda a rede do Sistema Único de Saúde. 

Cuidados 

Diante da importância científica desses animais peçonhentos, é importante que toda a comunidade saiba como proceder em casos de aparecimento de cobras, aranhas e escorpiões. A equipe do Serviço de Animais Peçonhentos da Funed alerta que, ao encontrar um escorpião, jamais deve haver a tentativa de capturá-lo diretamente com as mãos. É preciso usar luvas e uma pinça longa (com cerca de 20 cm). Caso não seja possível, uma pá pode ser a alternativa. Após a captura, é preciso que o animal seja acondicionado vivo dentro de um pote plástico, com furos na tampa em um algodão úmido, para permitir respiração do escorpião.  

No caso de captura de cobras que possam ser encontradas pelos cidadãos é preciso habilidade e alguma noção sobre a maneira correta de se realizar a captura, caso contrário, o indicado é que sejam acionados os bombeiros, policiais ambientais ou um técnico da área. Para apanhar a cobra é necessário o uso de um cancho com cerca de 50 cm, botas ou perneiras e uma caixa com tampa. A cobra deve ser acondicionada dentro da caixa que, de preferência, deve conter as seguintes informações: número de animais, local de captura e data.  

Os animais capturados podem ser entregues na portaria da Fundação Ezequiel Dias (R. Conde Pereira Carneiro, 80, no bairro Gameleira em Belo Horizonte), inclusive nos finais de semana e feriado. 

Em casos de picadas de escorpião ou serpentes, o indicado é procurar atendimento médico mais próximo do local do acidente. Nunca amarrar ou cortar o local da picada, nem fazer torniquetes. Também não se deve medicar o enfermo antes do atendimento e avaliação do médico. Os paliativos não diminuem a ação do veneno, apenas retardam e dificultam o atendimento correto. Em Belo Horizonte, o Hospital João XXIII é referência no atendimento de pessoas picadas por animais peçonhentos.  

Os interessados em conhecer mais sobre esses animais podem agendar visitas com o Serviço de Animais Peçonhentos da Funed. Os profissionais da Fundação também realizam palestras em escolas e empresas. Para saber mais ligue 0800 283 1980, opção 03.

Assessoria de Comunicação Social da Funed
R. Conde Pereira Carneiro, 80 - bairro Gameleira
Belo Horizonte - MG / CEP 30.510-010

www.funed.mg.gov.br
twitter: www.twitter.com/funed
youtube: www.youtube.com/acsfuned

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