quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Primeira turma de assentados mineiros se forma em curso superior

A primeira turma de assentados mineiros em um curso universitário cola grau nesta sexta-feira (19). Quarenta e seis alunos de assentamentos criados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) participam da cerimônia de graduação, às 14h, Faculdade de Educação (FAE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no Auditório Neidson Rodrigues. Eles passam a ter a licenciatura em Educação no Campo e poderão reproduzir seus conhecimentos como professores em suas comunidades.

Após a experiência bem sucedida a universidade adotou o curso como regular e outras turmas já estão nas salas de aula. A coordenadora da licenciatura pela UFMG, Maria Isabel Antunes Rocha, destaca o pioneirismo da licenciatura. "O Ministério da Educação (MEC) criou cerca de outros 40 cursos de Educação no Campo baseados nas experiências e desafios vivenciados pelo modelo criado para estes alunos".

O Curso de Pedagogia da Terra (como também é conhecida a licenciatura) é fruto da parceira entre Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), UFMG, a Fundação de Desenvolvimento de Pesquisa (Fundep) e movimentos sociais. A graduação foi desenvolvida por meio do 'tempo escola", com aulas presenciais na Universidade, e o 'tempo comunidade", em que os alunos desenvolveram projetos na zona rural. Os alunos puderam optar por formação nas áreas de conhecimento de línguas, artes e literaturas, matemática, ciências da natureza, ciências sociais e humanidades.

Para o aluno Oswaldo Samuel Costa Santos, do assentamento Darcy Ribeiro, no município de Capitão Enéas (MG), a oportunidade é a realização de um direito dos trabalhadores rurais de terem acesso ao ensino superior. "O Pronera abre para mim uma grande possibilidade na área da educação dentro das áreas da Reforma Agrária, da educação infantil à Educação de Jovens de Adultos (EJA) na qual atuo" ressalta. O trabalho de conclusão de curso de Samuel foi sobre a alfabetização de adultos no acampamento Novo Paraíso.

As monografias apresentadas foram desenvolvidas com temática ligada às zonas rurais de origem dos universitários. Muitas delas foram desenvolvidas com fins de aplicação nos assentamentos, como "Implantação de educação do Campo em Teófilo Otoni" de Vânia Márcia Silva; "A convivência com o semi-árido no contexto da educação do Campo", de Decanor Nunes dos Santos; e "A manifestação artística no meio rural", de Zilda Jorge da silva entre outras.

A estudante Auliane Camila do Carmo Padilha, moradora do assentamento Roseli Nunes II, no município de Esplendor (MG), tratou em seu trabalho de um problema corriqueiro nas escolas do meio rural: "Alfabetização em classes multiseriadas". Trata da necessidade de professores alfabetizarem ao mesmo tempo até cinco séries diferentes. "São cinco realidades dentro de uma sala, certamente, essa não é a melhor forma de ensino, mas é a única possibilidade que a maioria dos alunos do campo tem para estudar. Muitas vezes o professor não é habilitado para atendê-los dentro de uma classe só" problematiza.

Licenciatura em Educação


O Pronera é uma das ações do Incra que visam o desenvolvimento tanto dos assentamentos quanto dos assentados. No programa, o trabalhador rural beneficiário da reforma agrária tem a oportunidade de começar ou ampliar seus estudos. Atualmente, o Pronera/MG atende a mais de seis mil jovens e adultos em dez projetos que vão desde a alfabetização até o ensino superior, com propostas pedagógicas adaptadas à realidade do campo.

Serviço:

O quê:
Graduação de assentados mineiros em Educação do Campo pela UFMG

Quando: Sexta-feira, dia 19 de fevereiro de 2010, a partir das 14h

Onde:
Faculdade de Educação (FAE) da UFMG, no Auditório Neidson Rodrigues a Cerimônia de Colação de Grau com transmissão simultânea via telão no Auditório Luiz Pompeu e na Sala de Teleconferência.

Assessoria de Comunicação Social do Incra/MG
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