quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Caravana mobiliza Minas Gerais contra a dengue

Além de realizar a mobilização pelo combate ao mosquito transmissor da doença, o ministro Temporão anunciou a liberação de recursos para a saúde no estado

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, liderou em Minas Gerais nesta quinta-feira (17/12) uma mobilização de gestores e profissionais de saúde, além de comunicadores e formadores de opinião, no reforço das ações de combate à dengue. Esse é oitavo estado visitado nesta ação, que começou no início de novembro, em Pernambuco, e já passou pela Bahia, Ceará, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Na capital mineira, o ministro ainda anunciou a incorporação de R$ 4,6 milhões aos recursos repassados mensalmente pelo Ministério para a saúde de Minas Gerais e de Belo Horizonte.

Os recursos adicionais foram autorizados por meio de Portaria que aumenta o teto financeiro de alta e média complexidade – ou seja, para exames e consultas especializados, cirurgias e internações, entre outros procedimentos. A Portaria foi assinada pelo ministro Temporão durante a solenidade de conclusão da primeira etapa do projeto 1.000 Leitos SUS da Santa Casa de Belo Horizonte. Nesta quinta-feira, foram inaugurados 100 novos leitos pelo projeto. "É uma medida importante, por meio da qual estamos melhorando o atendimento e a oferta de serviços", disse o ministro, que inaugurou também a Unidade Coronariana do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais.

O envolvimento direto do ministro pelo combate à dengue dá continuidade às ações que permitiram resultados importantes no controle da doença desde o ano passado. De acordo com balanço parcial do Ministério da Saúde, os casos de dengue em todo o Brasil caíram 46,3% nas primeiras 30 semanas deste ano, em relação ao mesmo período de 2008 (1º de janeiro e 1º de agosto). Foram 406.883 notificações neste ano, contra 758.051 no ano passado (veja tabela abaixo).

"A média brasileira de redução no número de casos e de óbitos foi importante. Minas Gerais manteve um desempenho no número de casos, mas duas cidades do estado, Governador Valadares e Ipatinga, estão em risco de surto. Se a população não se mobilizar e se as autoridades públicas não se engajarem, podemos ter uma situação de maior gravidade", alertou o ministro.

Minas Gerais, nesse período, teve redução de 2,6% nos casos de dengue. Nas primeiras 30 semanas deste ano, o estado registrou 69.720 notificações, ante 71.610 no mesmo período de 2008. A redução no número de casos foi observada em outros 19 estados e no Distrito Federal. O Rio de Janeiro registrou a maior queda (95,9%), seguido do Rio Grande do Norte (93,0%) e Sergipe (90,4%). Os estados do Acre, Amapá, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso apresentaram aumento no número de casos.

"O aumento da temperatura e das chuvas nos fazem redobrar a mobilização, que tem de se dar com ampla divulgação do LIRAa (Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti), com cada um sabendo o que tem de fazer dentro da sua casa. E não basta só isso. É preciso usar esse dado para conversar com o vizinho, mobilizar a rua em que mora, levar dados à mídia, criar uma mobilização de todos para que a população e as autoridades enfrentem juntas um problema que é muito complexo".

INFESTAÇÃO Em novembro, o Ministério da Saúde divulgou o LIRAa. Os resultados mostraram que, das 24 cidades mineiras participantes do estudo, Governador Valadares e Ipatinga têm risco de surto da doença. Isso significa que mais de 3,9% dos imóveis pesquisados nesses municípios apresentaram larvas do mosquito. Outros 20 municípios do estado estão em alerta contra a dengue. Neles, entre 1% e 3,9% dos imóveis analisados registram infestação. Em todo o Brasil, 10 cidades correm risco de surto da doença e outras 102 estão em situação de alerta.

 Resultados do LIRAa 2009 em Minas Gerais

Cidades em risco de surto: Governador Valadares e Ipatinga.

Cidades em alerta: Araguari, Belo Horizonte, Betim, Contagem, Coronel Fabriciano, Divinópolis, Ibirité, Itabira, Juiz de Fora, Monte Carlos, Pedro Leopoldo, Ribeirão das Neves, Sabará, Santa Luzia, Sete Lagoas, Teófilo Otoni, Timóteo, Uberaba, Uberlândia e Vespasiano.

Cidades em situação satisfatória: Conselheiro Lafaiete e Patos de Minas.

 

PARÂMETROS DOS ÍNDICES:

Os estratos de domicílios com índices de infestação predial:

§        Inferiores a 1%: estão em condições satisfatórias

§        De 1% a 3,9%: estão em situação de alerta

§        Superior a 4%: risco de surto de dengue

 CASOS GRAVES E ÓBITOS – Os casos graves de dengue caíram 79,2% em todo o país, passando de 20.579, nas 30 primeiras semanas de 2008, para 4.281, no mesmo período de 2009. Esses casos correspondem à soma dos registros de Dengue com Complicações (DCC) e Febre Hemorrágica de Dengue (FHD). Os casos de DCC são pessoas que tiveram complicações decorrentes da doença, mas que não chegaram a ter um quadro classificado como dengue hemorrágica. Em Minas Gerais, entre janeiro e 1º de agosto deste ano, houve 98 casos de FHC e 288 de DCC.

Também houve redução de 63,2% nas mortes em decorrência da dengue no Brasil. De acordo com dados enviados até 1º de agosto, houve 166 óbitos neste ano, sendo 103 por FHD e 63 por DCC. No mesmo período do ano passado, foram 451 mortes (213 por FHD e 238 por DCC). Em Minas Gerais, 12 pessoas morreram em todo ano passado (4 por FHD e 8 por DCC); entre janeiro e 1º de agosto de 2009, foram 18 óbitos por dengue no estado (10 por FHD e 8 por DCC).

 

Dengue em Minas Gerais

 

2008¹

2009²

Casos gerais

71.610

69.720

Casos de FHD

43

98

Casos de DCC

183

288

Óbitos por FHD

4

10

Óbitos por DCC

8

8

¹ Dados do ano inteiro

² 1º/janeiro a 1º/agosto

CAMPANHA – No dia 29 de outubro, o Ministério da Saúde lançou a Campanha Nacional de Combate à Dengue 2009/2010. Serão veiculados quatro filmes de TV e cinco spots para incentivar a mobilização social, o combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti e os sintomas da doença.

No lançamento, o ministro Temporão enfatizou a necessidade de continuidade das ações de enfrentamento da doença nos estados e municípios. "Os resultados mostram que estamos no caminho certo. O combate não pode parar. A dengue é um problema de saúde pública relevante e toda a população deve estar mobilizada por meio de medidas de prevenção e controle da doença".

AÇÕES 2009/2010 – O combate e a prevenção à dengue estão entre as prioridades do governo federal, estados e municípios. Estão mantidos os recursos investidos nas ações de 2008/2009, incluindo a incorporação de R$ 128 milhões ao Teto Financeiro de Vigilância em Saúde (TFVS). Para 2009, o Teto Financeiro para todo o país será de R$ 1,02 bilhão. Os recursos incluem os repasses do TFVS, usado no combate de diversas doenças, com priorização para dengue; e o envio de inseticidas, larvicidas, veículos e equipamentos para fumacê.

Além do Teto, houve investimento de R$ 55 milhões em compras diretas do Ministério da Saúde até outubro deste ano especificamente para combater a dengue, com ações como campanha publicitária, treinamento e capacitação, equipamentos e insumos, entre outras atividades.

O Ministério da Saúde tem estoque estratégico de medicamentos, inseticidas e equipamentos para combater a doença no Brasil. São 2,77 milhões de unidades de paracetamol (gotas e comprimidos), 2,03 milhões de frascos de soro fisiológico injetável e 562,7 mil envelopes de sais de reidratação oral que serão utilizados em situações epidêmicas. Essa medicação é essencial para a atenção ao paciente e será utilizada em situações epidêmicas em apoio aos estados e municípios.

Outros 250 mil litros de inseticidas e 3,5 toneladas de larvicidas serão distribuídos ao longo das ações de controle vetorial. Também há 6,5 mil kits de diagnósticos, suficientes para a realização de 170 mil exames. Além disso, em caso de necessidade, o Ministério da Saúde poderá colocar à disposição uma reserva estratégica de 77 nebulizadores costais motorizados e 142 equipamentos de fumacê.

 
DIRETRIZES NACIONAIS – Em julho deste ano, o Ministério lançou as Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue, um documento inédito elaborado em parceria com estados e municípios para unificar as ações de vigilância e assistência em saúde em todo o país. A proposta é manter gestores em alerta durante todo o ano e organizar as atividades de prevenção e controle, em períodos de baixa transmissão ou em situações epidêmicas, para evitar surtos e reduzir o número de casos e mortes.
 
 
NÚMERO DE CASOS DE DENGUE – BRASIL
(30 primeiras semanas)
UF
2008
2009
NORTE
69.099
       49.427
RO
        7.692
        6.823
AC
        2.141
       18.106
AM
       10.291
        1.886
RR
        5.632
        4.388
PA
       22.394
        9.145
AP
        1.498
        2.635
TO
       19.451
        6.444
NORDESTE
     250.311
     136.713
MA
        5.774
        1.914
PI
        4.885
        4.360
CE
       64.355
       12.250
RN
       42.512
        2.973
PB
        8.349
           884
PE
       39.162
        5.477
AL
       17.564
        3.904
SE
       34.169
        3.275
BA
       33.541
     101.676
SUDESTE
     362.114
     136.768
MG
       71.610
       69.720
ES
       33.403
       50.482
RJ
     250.220
       10.365
SP(1)
        6.881
        6.201
SUL
       16.239
        8.164
PR
       14.862
        7.732
SC(2)
           655
           209
RS(2)
           722
           223
CENTRO OESTE
       60.288
       75.811
MS
        4.065
       12.441
MT
       10.504
       35.501
GO
       42.696
       26.531
DF
        3.023
        1.338
TOTAL
     758.051
     406.883
 
Fonte: Secretaria de Vigilância em Saúde/MS e Secretarias Estaduais de Saúde.
·          Dados até a semana epidemiológica 30, sujeitos a alteração.
·          ¹ Registro apenas de casos confirmados laboratorialmente.
·          ² Não há registro de casos autóctones (ocorridos no próprio território), apenas de casos importados.
 
Agência Saúde


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