terça-feira, 8 de março de 2011

Presas que confeccionaram fantasias da Chame-Chame visitam barracão da escola de samba

Renato Cobucci/Secom MG
Nove presas participaram da confecção de cerca de 300 peças
Nove presas participaram da confecção de cerca de 300 peças

Mesmo distante das ruas, as detentas do Complexo Penitenciário Feminino Estêvão Pinto (Piep) também terão presença garantida no Carnaval. Pelo terceiro ano consecutivo, elas trabalharam na confecção de fantasias da escola de samba Chame-Chame e, nesta sexta-feira (4), foram ver de perto o ensaio da festa. Elas foram até a quadra da agremiação para fazer os últimos ajustes das fantasias, ao som do cavaquinho e do enredo da escola.

Durante três semanas, as nove presas envolvidas na atividade confeccionaram quase 300 peças, como bonecas negas malucas, gravatas, turbantes e lenços, que serão utilizados na segunda-feira de Carnaval. No dia do desfile, uma torcida especial das presas entrará em ação para que a escola repita o bom desempenho do ano passado e se torne bicampeã do Carnaval de Belo Horizonte. "Estou torcendo para a vitória da escola, ainda mais que serão usadas as roupas que eu produzi. A nossa parte nós garantimos, fizemos com carinho", declara a presa Sirley da Silva Freitas, de 43 anos.

Ela conta que, apesar de não gostar de pular Carnaval, achou gratificante trabalhar na produção. "As roupas são muito bonitas. É bom participar, mesmo de longe, contribuindo com uma festa que todos gostam e curtem", afirma. Quanto ao trabalho, Sirley já costurava antes, mas nunca tinha feito fantasias. "Não é muito diferente, mas tem um clima mais gostoso e animado", avalia.

Inesquecível

Já Michelle Terezinha, de 27 anos, aprendeu a costurar em um curso que fez dentro da penitenciária. Ela conta que gostou de participar do projeto. "A gente desempenhou o trabalho lá no presídio e agora veio conhecer a escola de samba. É um passeio inesquecível para quem está presa há quatro anos", revela.

O superintendente de Atendimento ao Preso da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), Guilherme Augusto de Faria Soares, explica que para a população carcerária o trabalho representa muito mais do que uma forma de juntar dinheiro ou reduzir a duração da pena. "Trabalhando, ele deixa de ser um prisioneiro e passa a ser novamente um trabalhador", destaca.

Segundo Soares, para as presas o mais importante é o resgate da cidadania. "Especialmente no caso da escola de samba, elas têm a oportunidade de participar de algo que é comunitário, que pertence ao bairro, que todo mundo ajuda a construir. A última coisa em que elas pensam é dinheiro".

A parceria com o Projeto Social Grêmio Recreativo da Escola de Samba Chame-Chame é apenas uma das diversas contribuições captadas pela Superintendência de Atendimento ao Preso (Sape), por meio do programa Trabalhando a Cidadania. No total, são mais de 250 parceiros que oferecem trabalho a pessoas que cumprem pena em unidades prisionais de Minas Gerais. Em troca, elas recebem três quartos do salário mínimo e remissão da pena (a cada três dias trabalhados, um a menos no cumprimento da sentença).

Agência Minas

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