sexta-feira, 11 de junho de 2010

Epamig notifica ocorrência de praga exótica em oliveiras

Divulgação/Epamig
Fotomicrografia do Oxycenus maxwelli, ácaro detectado em oliveiras
Fotomicrografia do Oxycenus maxwelli, ácaro detectado em oliveiras

BELO HORIZONTE (10/06/10) - Pesquisadores daEmpresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) registraram a primeira constatação da espécie de ácaro Oxycenus maxwelli em oliveiras no Brasil. "Trata-se do primeiro relato da ocorrência do ácaro em mudas de oliveira em território brasileiro", afirma o pesquisador Paulo Rebelles, responsável pela pesquisa, ao lado do fitotecnista Adelson Francisco de Oliveira, também da Epamig.

Pesquisas realizadas na Unidade Regional Epamig Sul de Minas revelaram que, preferencialmente, os ácaros se alimentam na superfície superior de folhas terminais de oliveira, mas, em altas infestações, também na superfície inferior, gemas, brotações novas, inflorescências e caules.

O ácaro O. maxwelli foi detectado em folhas de mudas de oliveira na Fazenda Experimental da Epamig, no município de Maria da Fé, pelo pesquisador Adelson Francisco de Oliveira. Em seguida, foi identificado em lâminas de microscopia com meio de Hoyer, pelo pesquisador Paulo Rebelles Reis, no laboratório da Epamig Sul de Minas/EcoCentro, em Lavras. A identificação da espécie foi confirmada pela acaróloga Denise Navia, da Embrapa Centro de Recursos Genéticos, em Brasília, e pelo professor Carlos Flechtmann, da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, SP.

A divulgação da ocorrência no Brasil foi autorizada pelo Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Afonso Kroetz, em maio.

Medidas emergenciais para contenção

Apesar da constatação do ácaro em mudas de oliveira no município de Maria da Fé, ter sido feita em dezembro de 2007, não foram constatados danos às oliveiras até o momento. "Acredita-se também que O. maxwelli já ocorre no Brasil há muitos anos, talvez desde os primeiros plantios em Maria da Fé, por volta de 1950, feitos por imigrantes portugueses através de material de propagação vegetativa", diz Adelson Francisco de Oliveira, que acredita que o ácaro somente passou desapercebido devido à falta de estudo com as oliveiras, que só agora estão sendo intensificados.

De acordo com os pesquisadores, a constatação ainda ganha respaldo no fato dessa espécie de ácaro já ter sido interceptada em mudas importadas de Portugal, na Estação Quarentenária de Germoplasma Vegetal da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília. A instituição oficial é designada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para realizar a quarentena de toda a espécie vegetal que entra no Brasil para fins de pesquisa.

Características

As características físicas do ácaro, segundo descrição da equipe de pesquisa, dizem que o "Oxycenus maxwelli, como os demais ácaros da família Eriophyidae, apresenta apenas dois pares de pernas na região anterior. O corpo (idiossoma) é anelado e fusiforme, de coloração amarela a laranja. Fêmeas medem de 140 a 160 mm de comprimento, praticamente invisíveis a olho nu. Lobo frontal acuminado, anteriormente arredondado. Os anéis dorsais são mais largos que os ventrais, formando tergitos. Opistossoma (região dorsal) apresenta uma elevação mediana, serreada. Setas do escudo dorsal próximas à margem posterior. Alguns anéis dorsais apresentam projeções laterais. Cobertura genital das fêmeas (epigínio) com 18 a 20 elevações longitudinais".

Agência Minas
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