quarta-feira, 5 de maio de 2010

Expansão da UFU no Alto Paranaíba será decidida nesta sexta (7)

Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização debate os cursos a serem implantados pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) nos municípios de Monte Carmelo e Patos de Minas - Foto: Willian Dias / ALMG

A implantação de cursos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) em Monte Carmelo e Patos de Minas, no Alto Paranaíba, deverá ser decidida pelo Conselho Universitário da UFU na próxima sexta-feira (7). Há o risco, porém, de o pedido de Monte Carmelo ser indeferido. As informações foram passadas pelo deputado Weliton Prado (PT), durante audiência da Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizada nesta quarta-feira (5/5/10) em Monte Carmelo, a requerimento do parlamentar.

A criação dos campi remotos da UFU já foi aprovada pelo Congresso e tem recursos definidos no Orçamento da União. Portarias do Ministério da Educação (MEC) também já foram publicadas, autorizando a contratação, por concurso, de 27 profissionais, o que deve ser feito até outubro, em função das eleições. No entanto, segundo o deputado Weliton Prado, na última reunião do conselho da UFU, no dia 16 de abril, os conselheiros argumentaram que não houve discussão técnica aprofundada nem debates sobre a possibilidade da criação de cursos em Monte Carmelo, e chegaram a encaminhar contra a criação dos cursos.

O deputado Weliton Prado e o vereador Vítor Hugo apresentaram ao conselho universitário uma consulta popular feita em Monte Carmelo, o que levou a UFU a adiar a votação. "O conselho não sabia dessa discussão na cidade, e a consulta pública foi uma peça fundamental para o adiamento da votação. Agora temos que nos mobilizar e levar mais subsídios para os conselheiros", defendeu Prado, que é 3º vice-presidente da ALMG. "Com a universidade, virão empresas, indústrias, empregos, aeroportos e oportunidades para os jovens de Monte Carmelo", afirmou.

A reunião foi coordenada pelo deputado Almir Paraca (PT), que também enfatizou a necessidade de mobilização e de novas orientações para o conselho da UFU. "É fundamental colher esse sentimento regional. Esse projeto é importante para o desenvolvimento de toda a região, pois o grande valor da sociedade atual é o conhecimento. E nada melhor que uma universidade federal para proporcionar esse conhecimento", disse.

Autoridades são acusadas de boicotar o movimento

Durante a audiência, ficou clara a indignação de alguns moradores em relação à comissão criada em Monte Carmelo para acompanhar o processo junto à UFU. Juvelino Antônio da Silva Filho, que falou durante a fase de debates, ressaltou que nenhum membro da comissão esteve na última reunião do conselho universitário. Segundo ele, alguns membros chegaram a pedir que o curso de Agronomia não seja criado, para não prejudicar a Fundação Carmelita Mário Palmério (Fucamp), que oferece o curso no período noturno. A Fucamp, inclusive, é cotada como local para abrigar os possíveis cursos da UFU.

Creuzo Takahashi, diretor da Copermonte, argumentou que a Fucamp não será concorrente da UFU. "O que vai haver é uma sinergia, com fortalecimento de interação entre alunos e estudantes. A Fucamp tem o curso noturno e a UFU oferecerá em outro período", salientou. O tesoureiro da Associação Mineira de Estudantes (AME), Samuel Martins Lara, completou que, no vestibular de 2010 da UFU, 302 candidatos optaram por Agronomia, para 20 vagas apenas. No total, a universidade ofertou 1.913 vagas e recebeu 13.608 inscrições. "Esse debate é urgente. A droga recruta mais jovens do que a universidade absorve", comparou.

Requerimento - Os deputados Weliton Prado e Almir Paraca apresentaram um requerimento, a ser votado na próxima reunião da comissão, pedindo ao conselho da UFU que aprove a expansão dos cursos e priorize o de Agronomia em Monte Carmelo.

População se prepara para ir a Uberlândia

Ainda durante a audiência, os moradores começaram a organizar uma caravana para acompanhar a reunião do conselho universitário da UFU, em Uberlândia, na sexta-feira (7). Dois ônibus foram doados pelo empresário José Eduardo Dornelas, enquanto professores e líderes estudantis se ofereceram para mobilizar os estudantes. A expectativa da população é de que a universidade leve desenvolvimento as município e ponha fim ao êxodo de jovens para cidades maiores, em busca da universidade gratuita. Autoridades de outros municípios da região também relataram problema semelhante.

O vereador Vítor Hugo lembrou que a economia de Monte Carmelo é pouco diversificada, que não há opções para a juventude e que um campus de universidade federal, com pessoas de todo o País, traria diversidade cultural para a cidade. Na fase de debates, moradores lamentaram ter que mandar os filhos a outras cidades para estudar. Estudantes também relataram o sacrifício, já que muitas vezes são obrigados a viajar diariamente para fazer a faculdade. Os deputados da comissão receberam ainda denúncias de perseguição a professores e estudantes da cidade e prometeram apurar.

Presenças - Deputados Weliton Prado e Almir Paraca, ambos do PT. Também participaram da reunião os vereadores Kleiber Paulo Mundim Côrtes e Heraldo José Pires, de Monte Carmelo; Renê Luiz, de Romaria; e Marcilene Jacinto Queiroz, de Patrocínio; o comandante da Polícia Militar em Monte Carmelo, major Marcos Aurélio Daniel; e o presidente da Liga das Associações de Bairro de Monte Carmelo, João Machado. A UFU e o Ministério da Educação enviaram correspondência justificando ausência. 


Assessoria de Imprensa ALMG

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