terça-feira, 13 de outubro de 2009

Entrevista Aécio Neves - Cidade Administrativa

Assuntos: Cidade Administrativa, evento com o presidente Lula em Buritizeiro/MG, revitalização do rio São Francisco, investimentos da Vale em Minas Gerais, Eleições 2010, Ciro Gomes, PMDB e Prévias do PSDB

 

Cidade Administrativa.

Vamos falar da obra. É um momento extremamente importante para Minas Gerais. Essa obra, além da sua grandiosidade como obra de arquitetura, como obra de engenharia que mais uma vez reforça a qualidade da engenharia e da arquitetura brasileiras, nós estamos apresentando um projeto que vai mudar a realidade e a face da nossa Região Metropolitana, como já está acontecendo. Nós estamos trazendo o desenvolvimento da cidade para o seu Vetor Norte, o mais desaquecido economicamente e, junto com as obras da Linha Verde, da avenida Antônio Carlos, do próprio Aeroporto Internacional Presidente Tancredo Neves, eu não tenho dúvidas de que dentro de poucos anos essa região se transformará em benefício das pessoas que aqui vivem e, ao final, de todos os mineiros.

Hoje, nós estamos, portanto, entregando já o maior prédio suspenso em concreto do mundo, um vão de 147 metros quadrados, uma ousadia de Oscar Niemeyer, do doutor Sussekind e de toda a sua equipe e, mais uma vez, a demonstração da qualidade da nossa engenharia.

Eu estou marcando uma data para nossa mudança para a Cidade Administrativa: o próximo dia 15 de janeiro, quando já estaremos aqui, além do gabinete do Governador, do vice-governador, as primeiras três secretarias de Estado, vamos fazer essa mudança, sobretudo em razão da logística de transporte dos servidores, de forma cadenciada, vamos fazer de forma parcial.

Em janeiro virão as primeiras secretarias, em fevereiro mais um grupo de secretarias e daí por diante até que no mês de julho, nós tenhamos toda a estrutura do governo já funcionando adequadamente, com conforto e a tranqüilidade que os servidores precisam ter.

 

Da última vez que o senhor esteve com o presidente Lula foi aquela polêmica toda em torno da conversa entre os senhores. Amanhã, ele vai estar em Minas Gerais, o senhor vai lá encontrar com ele nessa polêmica obra de transposição do rio São Francisco?

Sempre que o presidente da República vem a Minas Gerais, eu busco recebê-lo e é natural que eu esteja lá. Devo recebê-lo. Temos posições que não são idênticas em relação à questão do São Francisco, mas como estaremos falando em revitalização, eu tenho dito sempre que essa é a prioridade para Minas Gerais.

Temos que tratar da revitalização do São Francisco antes de falarmos em qualquer outra medida. Portanto, ele vem falar de algumas obras de revitalização e é natural que o governador do Estado esteja com ele. E é natural também que qualquer conversa de governador com o presidente da República haja especulações, elas sempre existirão. Eu sempre terei com o presidente da República conversas extremamente republicanas, até porque mantenho com ele relações pessoais que estarão preservadas, independente dos campos políticos nos quais nós atuamos, independente dele fazer oposição, como fez no passado, ao nosso governo e de nós fazermos ao governo dele. Isso não nos tira a fidalguia e a capacidade de conversarmos. Até porque, conversando nós já enfrentamos e solucionamos alguns importantes problemas de Minas Gerais.

 

Anúncio de investimentos da Vale em Minas Gerais.

Só amanhã eu posso falar sobre isso. É, na verdade, um comunicado conjunto que a Vale e o Governo estarão fazendo. Nós estamos ultimando esses detalhes. Ao longo dos últimos 60 dias, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico trabalhou arduamente junto com a Vale.

Na verdade, o que nós dizíamos era que era importante que a Vale voltasse a ter um cronograma de investimentos claro no Estado de Minas Gerais. E estou otimista em relação a esse anúncio, que me parece que é algo absolutamente expressivo e que significa também a geração, rapidamente, de importantes postos de trabalho em Minas Gerais. Mas eu vou anunciar isso, até por delicadeza, ao lado do presidente da Vale.

 

E a mudança de domicílio do Ciro Gomes, como o senhor avalia essa modificação no quadro?

Não vejo como isso altera em muito o quadro eleitoral, porque ele continua tendo condições de disputar a Presidência da República, que me parece ser o objetivo primeiro, o objetivo prioritário. Uma decisão que ele tomou, certamente estimulado pelo seu partido, pelo próprio presidente da República e faz parte do jogo. Eu não tenho nenhum questionamento a fazer em relação a isso.

 

Há algum problema na obras, houve boatos de que houve um desnível?

Eu não estou vendo. Você está vendo? Que chegou a mim, não. A obra está perfeita e nós estamos assistindo isso. Acho que esse ato de hoje demonstra de forma muito clara a qualidade do que foi feito aqui.

 

Vai ter prévia ou não?

Espero que sim.

 

Quando?

Acho que o partido, quando tomou a decisão pelas prévias, falava sério e a minha expectativa é essa. Eu não tenho o poder de, isoladamente, definir o que o partido fará. Volto a ter conversas essas semana ainda, inclusive no final de semana, em um evento em Goiânia, com a direção nacional do partido e acho que está no momento, realmente, do partido dar alguns sinais mais claros do que irá fazer.

No que depender de mim, nós teremos uma consulta ampla às bases do partido. Repito: porque acho que esse processo, tanto do ponto de vista dos aliados do governo quanto da oposição, ainda não está concluso. Está longe disso. Cada um tem a sua estratégia. Nós do PSDB não estamos com essa pressa toda de nos definirmos. Adotamos isso como uma estratégia, para que no momento da definição termos um vigor muito grande da caminhada que se dará a partir dali.

Nisso o governador Serra e eu estamos absolutamente afinados. Volto a conversar com ele essa semana. Eu estou absolutamente tranqüilo, acho que nós estamos fazendo o que devemos fazer, governando bem os nossos estados, vencemos etapas importantes aqui em Minas Gerais, agora já com início da recuperação da nossa receita face à crise que teve em Minas Gerais, talvez, o seu alvo maior ou, pelo menos, as perdas proporcionalmente maiores, mas o ajuste do Estado, o equilíbrio do Estado nos permitiu dar continuidade a todo nosso programa de investimentos.

 

Prévias.

Eu espero que a decisão seja das bases do partido.

 

O senhor vai se licenciar para viajar pelo país?

Isso, na verdade, foi uma ideia que surgiu numa conversa, logo se transformou em uma notícia e eu nunca confirmei. Se houver necessidade, eu vou fazê-lo, mas confesso que ainda não tenho uma decisão nessa direção. A minha prioridade vai ser sempre estar governando Minas Gerais.

Vou fazer ainda uma agenda de visitas entre esses próximos 15 dias de outubro e no mês de novembro, uma agenda extensa e intensa de visitas. Se achar necessário por alguns dias pedir uma licença formal, posso até vir a fazê-lo, até porque seria bom para que o vice-governador Antonio Anastasia pudesse ir se acostumando um pouco mais.

 

O senhor vai se encontrar com o Serra que dia?

Não tenho ainda marcado o dia, mas provavelmente em Goiânia, no sábado. Eu não falei com ele desde que cheguei de viagem, até porque eu cheguei ontem à noite.

 

Essa indefinição não atrapalha o PSDB?

Ao contrário, ela confunde um pouco o governo. Ela, eu acho, paralisa de alguma forma as ações do governo em relação às oposições. Eu vejo hoje o noticiário, o governo com muito mais problemas internos quando discute uma candidatura de uma senadora que sai do PT ou de um aliado do governo que volta a se colocar com consistência como candidato à Presidência da República ao lado de uma candidatura oficialmente apoiada pelo partido. Eu acho que hoje o problema é muito maior no campo do governo, para que eles tenham uma estratégia definida, do que no campo das oposições.

As oposições têm apresentado até agora dois nomes com características distintas, com histórias políticas distintas, mas com uma grande convergência. Ambos têm um grande compromisso com o Brasil e vão estar juntos. Então, eu não vejo dificuldade alguma em nós aguardarmos um pouco mais para que essa decisão seja tomada. Da minha parte, não há uma pressa, enfim, enorme dessa decisão.

 

Essa aliança do PMDB com o PT prejudica as conversas com o PMDB aqui no Estado?

Nós temos que respeitar o caminho que o PMDB vier a tomar no campo nacional, mas eu continuo acreditando que a tendência do PMDB é valorizar as suas situações regionais, até porque o PMDB é hoje um partido fortíssimo e fundamental para a governabilidade do país, exatamente porque privilegiou sempre as suas situações regionais. Claro que, possivelmente até em prejuízo de uma grande unidade nacional, mas em um privilégio das situações regionais é que permitiu ao PMDB construir grandes bancadas no Congresso Nacional, tanto na Câmara quanto no Senado e acho que isso irá prevalecer.

O PMDB já esteve formalmente conosco quando o governador José Serra foi candidato à Presidência da República e isso não significou uma unidade do PMDB em torno da candidatura do PSDB. E não sei se isso ocorrerá agora se, eventualmente, o PMDB oficializar a coligação com o PT. Eu acho que, mais uma vez, prevalecerá no PMDB a lógica do respeito às decisões das suas instâncias regionais e em muitos dos estados a possibilidade do PMDB é maior com o PSDB do que com o PT.

 

O senhor disse agora há pouco que poderá até tirar licença para o Anastasia se acostumar mais com o governo. Está definido, ele é candidato pelo PSDB?

A decisão, o PSDB é que irá tomar no momento certo, mas se a decisão for em torno do professor Antonio Anastasia, o que eu posso dizer é que será um privilégio para Minas Gerais ter um governador da estatura moral, da correção ética e da capacidade de trabalho que tem o professor Anastasia. Mas essa é uma decisão que o partido irá tomar no momento certo.


Agência Minas


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